sexta-feira, junho 03, 2005

Garganta Profunda e os Pecados Capitais

A reportagem da revista Vanity Fair que revelou a identidade da fonte mais preservada dos últimos tempos, W. Mark Felt – o Garganta Profunda – traz outras revelações. A história daquela que foi talvez a maior reportagem de todos os tempos transformou Bernstein e Wodward nos responsáveis, não só pela queda de Nixon, mas também pela minha inclinação ao jornalismo.
Agora, depois de trinta anos, o episódio me traz novas e curiosas revelações sobre o comportamento humano, pois explicitam a tendência do homem em cair diante dos chamados "Pecados Capitais". Então, vejamos:
SOBERBA: A declaração do ex-diretor do Washington Post, Ben Brandlee, de que o Garganta Profunda foi o “último caso desconhecido”. Isso faz parecer que tudo o que foi feito em jornalismo depois disso, se não teve o mesmo impacto histórico, também não teve a menor importância...
INVEJA: As reportagens do New York Times sobre a revelação de Felt exaltam o “furo” que a Vanity Fair teria dado no Post. Depois o jornal deixa implícito que a série de reportagens teria sido a única coisa que prestasse na história do seu maior concorrente...
IRA: Não é preciso nem lembrar as reações que surgiram contra Felt. Pat Buchanan, assessor direto de Nixon, por exemplo, disse que Felt “não passa de uma cobra. Um traidor”.
AVAREZA: Tudo indica que Felt só tenha se revelado por dinheiro. Principalmente influenciado pela filha caçula, Joan, que queria “pagar a conta da educação dos filhos”...
PREGUIÇA: Durante os dois anos em que a Vanity Fair trabalhou na reportagem, Wodward teria marcado dois encontros com Felt e a família, justamente para escrever um artigo que revelaria o Garganta Profunda. Cancelou os dois encontros por não querer viajar até a Califórnia para se encontrar com Felt, a quem ele “nem ao menos sabia se estava em perfeitas condições mentais”.
LUXÚRIA: Ao que parece, a garganta de Felt era bem mais profunda que a de Linda Lovelace. Para chegar ao clímax, Felt precisou dar uma segunda com Wodward, e dessa vez, passando o repórter para trás.
GULA: Apesar de certamente os 15 repórteres da Vanity Fair durante a apuração da matéria que revelou Felt tenham consumido milhares de cafezinhos, refrigerantes, cerveja, sanduíches etc., a maior gula mesmo é a que tenho em continuar devorando as reportagens que remetam ao Watergate e, quem sabe, encontrar novas revalções da tendência humana.

3 Comments:

Anonymous Roberto Marinho said...

Mais que presentes na reportagem da Vanity Fair, os sete pecados capitais também deram a luz no escândalo que envolveu Nixon. Luxúria, avareza e preguiça - e todos os outros pecados - são presença constante no vocabulário dos políticos. Que Deus nos livre! (dos pecados e, quem sabe, dos políticos)

junho 02, 2005 6:52 PM  
Anonymous Roberto Marinho said...

Mais que presentes na reportagem da Vanity Fair, os sete pecados capitais também deram a luz no escândalo que envolveu Nixon. Luxúria, avareza e preguiça - e todos os outros pecados - são presença constante no vocabulário dos políticos. Que Deus nos livre! (dos pecados e, quem sabe, dos políticos)

junho 02, 2005 6:53 PM  
Blogger Helton Fraga said...

Marcelo, que inteligência! Fiquei orgulhoso.

junho 03, 2005 8:11 AM  

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