domingo, julho 16, 2006

Notícias enganosas

Os jornais americanos fazem praça da existência de um fosso intransponível entre a página de editoriais e todas as outras.
O fosso é para impedir que a voz dos donos ecoe no noticiário – nas pautas, na apuração, na edição e na apresentação das matérias. Em suma, o que entra e como entra é de responsabilidade exclusiva dos executivos da redação.
Nem sempre o fosso é tão fundo como dizem, mas que existe, existe. O caso do Wall Street Journal é de livro de texto.
Os seus editoriais de apoio fervoroso ao governo Bush e as suas reportagens investigativas sobre as maracutaias do bushismo, os desastres da guerra no Iraque e as ilegalidades da Casa Branca em nome da guerra ao terror parecem pertencer a galáxias diferentes.
Ainda há pouco, o jornal, no mesmo dia que o New York Times e o Los Angeles Times, revelou que o governo espionava criminosamente zilhões de transações financeiras internacionais, a pretexto de rastrear o dinheiro da Al Qaeda.
Assim que Bush disse que a publicação equivalia a um ato de traição ao país, o Wall Street Journal saiu com um editorial – em apoio ao presidente e desancando a sua própria matéria.
Quem dera as redações brasileiras terem a independência de suas congêneres americanas em relação aos controladores das empresas jornalísticas.
Mas, uma vez na vida – no caso, hoje – vem a tentação de dizer quem dera se a posição de um jornal diante de um assunto pautasse o tratamento que lhe fosse dado nas páginas noticiosas.

E no Brasil acontece o mesmo. Veja por exemplo o caso da violência do PCC em São Paulo. Os jornalões paulistas e, principalmente, a Globo, procuram exaltar somente a suposta coragem de um povo paulista entregue ao desgoverno e aos descaso político. Não se pode expor as feridas de um sistema podre. Ainda mais quando o ex-governador de São Paulo busca a Presidência da República.
Os editoriais, assim como as matérias, apenas procuram aniquilar as ações do PCC, coisa que deveria ser feita pelos governantes, que, no máximo, aplaudem as manchetes.

4 Comments:

Anonymous roberto duarte said...

Depois de ser subserviente e cúmplice dos desmandos do governo Bush, após o 11/9, a imprensa americana começa a acordar. Na época, até os colunistas e jornalistas do NY Times, que antes mantinham alguma independência, renderam-se à euforia nacionalista desencadeada nos EUA. Nunca foi tão real a afirmação: "quem não é a favor do governo é contra o governo". Os jornalistas temiam serem chamados de coniventes com o terrorismo se criticassem Bush & cia. Aos poucos, a situação está mudando. Ainda bem.

julho 23, 2006 1:54 PM  
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